Madrugada. Eram quatro
horas da manhã e a Escola SESC acordava, abrindo não os olhos, mas a mente para
novas descobertas. Nós, “caros alunos de Primeira”, finalmente saíamos em
direção à Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, carregados de expectativas e
preparados para pôr em prática os conhecimentos adquiridos em sala.
Após uma longa jornada na estrada, afinal chegávamos à
Praia do Forno. Em contraste ao nome “Forno”, o clima estava muito frio e
chuvoso, mas nada que nos impedia de apreciar a bela paisagem que estava por
vir.
Defronte
daquele belíssimo cenário, as sensações não poderiam ser melhores do que a que
estávamos sentindo. O contraste entre o mar e o intenso verde da mata,
misturado aos sons que ecoavam da natureza, fez daquele momento inesquecível.
A hora do mergulho se aproximava e ansiosos aguardávamos por ele. Alvoroçados, colocamos os equipamentos, e somada a ansiedade com nossa inexperiência, a aproximação do mar nos rendeu desastrosos tropeços. Entendemos, então, porque os veteranos aconselharam-nos a caminhar de costas para o mar.
Até
que enfim esse momento chegou. Entramos na água. Dominados pela sensação de
êxtase total, já não mais sentíamos aquele frio térmico, mas, sim, um frio na
barriga. Um arrepio tomou conta de nós e o desejo de descobrir novos horizontes
nos fazia prosseguir.
Alguns não conheciam o mar, e mesmo aqueles que o
conheciam não faziam ideia da dádiva que a natureza pode nos oferecer. Diversas
eram as espécies e as peculiaridades que elas traziam consigo. Um peixe,
especialmente, nos chamou a atenção: apesar de pequeno e azul, seus olhos,
curiosamente, passavam por nós, e a gente, similarmente, era atraído pela sua
singularidade.
Diante da apreensão de pisar nos ouriços, previamente em
nós concebida, mesmo os que não sabiam nadar, acabaram “aprendendo”. De
impressionados que estávamos, nem percebíamos que a água entrava nos óculos e
no snorkel e, quando reparávamos,
tínhamos que subir para respirar.
Foi melhor do que imaginávamos. Se pudéssemos, tínhamos ficado o resto do dia ali, tranquilos, mas era hora de ir para casa. Por falar em lar, depois de ter visto tantos seres que jamais imaginamos que existiriam, pudemos compreender o grande valor de preservar a nossa casa maior, que é a Terra.
